quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Livros





Casualmente, caiu-me nas mãos um “livrinho” com o título - “Memória dividida / Poesia de antes e depois do 25 de Abril” que me agradou sobremaneira. É uma seleção de poemas da responsabilidade de Pedro Mexia, coordenado por Francisco José Viegas e editado na Teorema, por ocasião das comemorações do vigésimo quinto aniversário do 25 de Abril.
Embora se leia numa das aba que muitos destes poemas não seriam escolhidos para uma antologia da melhor poesia de alguns dos seus autores, destaco este, de Sophia que entra, de certeza, na minha antologia preferencial.  
A poeta de Livro Sexto, foi para mim objeto de “peritagens” por algum tempo o que acentuou afetos.





Pranto pelo Dia de Hoje

Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto

Atualíssimo!
Felizmente que, hoje, já ninguém (de cabecinha sã), se deixa amotinar por tão desprezível modo de [des]fazer.

Viva a Liberdade!


4 comentários:

Primeira Pessoa disse...

Nunca choramos o suficiente, poeta. Sophia de Mello Breyner Andresen é uma das grandes invenções de Deus.

Abraço grande do

roberto.

Graça Sampaio disse...

Viva!!
Que poema tão conseguido!!

Beijinho.

Benó disse...

Um poema que, creio, será sempre atual. Uma ótima escolha deste poema da Sophia de Mello B.A.

Rogério G.V. Pereira disse...

Nunca choraremos bastante
ainda hoje

já ninguém?
...como julga que proliferaram os deprimidos?