Casualmente, caiu-me nas mãos um “livrinho” com o título - “Memória dividida / Poesia de antes e depois do 25 de Abril” que me agradou sobremaneira. É uma seleção de poemas da responsabilidade de Pedro Mexia, coordenado por Francisco José Viegas e editado na Teorema, por ocasião das comemorações do vigésimo quinto aniversário do 25 de Abril.
Embora se leia numa das aba que muitos destes poemas
não seriam escolhidos para uma antologia da melhor poesia de alguns dos seus
autores, destaco este, de Sophia que entra, de certeza, na minha antologia preferencial.
A poeta de Livro
Sexto, foi para mim objeto de “peritagens” por algum tempo o que acentuou
afetos.
Pranto pelo Dia de Hoje
Nunca choraremos bastante quando vemos
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto
O gesto criador ser impedido
Nunca choraremos bastante quando vemos
Que quem ousa lutar é destruído
Por troças por insídias por venenos
E por outras maneiras que sabemos
Tão sábias tão subtis e tão peritas
Que nem podem sequer ser bem descritas
Sophia de Mello Breyner Andresen, in Livro Sexto
Atualíssimo!
Felizmente que, hoje, já ninguém (de cabecinha sã), se deixa amotinar
por tão desprezível modo de [des]fazer.
Viva a Liberdade!

4 comentários:
Nunca choramos o suficiente, poeta. Sophia de Mello Breyner Andresen é uma das grandes invenções de Deus.
Abraço grande do
roberto.
Viva!!
Que poema tão conseguido!!
Beijinho.
Um poema que, creio, será sempre atual. Uma ótima escolha deste poema da Sophia de Mello B.A.
Nunca choraremos bastante
ainda hoje
já ninguém?
...como julga que proliferaram os deprimidos?
Enviar um comentário