segunda-feira, 21 de novembro de 2016

"Nem sempre os pinheiros são verdes"

    Aqui está o convite para a Sessão de Apresentação deste livro.
    Nove autores, oito contos de Natal e um desejo.



   Deixo um pequeno excerto do conto que escrevi. Pode ter o seu interesse para quem aprecia uma escrita de desrealização, (Hugo Friedrich), sem que isso signifique  a fuga ao real, o fechamento ao mundo exterior, mas antes uma forma desfocada de o ver/dizer para além da realidade dos nossos dias, em que (de novo) o sentido parece não fazer sentido.

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Ocorre-me a ideia de que, nesta posição confortável de narrador, poderei com toda a liberdade plantar atrás deste banco uma tília bem alta e frondosa e, de um dos ramos, beneficiar de uma visão privilegiada sobre a sala onde se encontra o alvo desta investigação. É o que faço sem, no entanto, deixar de sentir um certo desconforto por este modo despudorado de agir.

Observo-o. Está comodamente instalado numa poltrona de pele gasta no meio da saleta. Uma pequena secretária, alguns livros, umas capas de arquivo desarrumadas completam o cenário. O homem medita. Tem um livro nas mãos. Abre-o agora vagarosamente. Ajeita os óculos sobre o nariz e começa a ler. Na sua frente, uma chávena de café vazia, no canto direito da secretária, alguma coisa sobressai, por quebrar a melancolia daquele ambiente austero e tristonho. Trata-se de um vaso, uma poinsettia, também conhecida por flor de Natal que, embora murcha, dá um toque de humanidade à cena.
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Até já!

2 comentários:

Primeira Pessoa disse...

Minuciosa, cheia de detalhes. Deu vontade de sentar no sofá.
Grande abraço

R.

Benó disse...

Bom começo. Fica a vontade de saber o resto. Estou certa de que vai estar rodeada de grandes amigos nesse dia. Que sejam momentos inesquecíveis. Um abraço