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Há
um extremo cansaço na escrita
uma
fadiga que deixa no texto
a
sua dedada grossa e comprometedora.
Batem-me
à porta e não respondo.
Prefiro
ficar no aconchego triste
das
sílabas mastigadas em silêncio
enquanto
os cães passeiam pela casa
a
inocência de um contentamento
que
todos os dias se renova
com
ossos, carícias e pouco mais.
Se
tudo na vida fosse assim tão simples,
gostaria
de acabar os meus dias
num
canil, a uivar à lua,
eternamente
enamorado pela beleza nocturna
dos
sentimentos que iluminam o olhar.
José
Jorge Letria (2016:p.22), É Tudo Uma
Questão de Tempo
***
Por vezes tenho tanta pena de não ter escrito certos poemas que leio, como este, por exemplo.
Não podes gostar de tudo - dizem-me. Não gosto de tudo. Reservo-me o direito de não me manifestar, quanto ao que não gosto. Falar do "não gostar" faz-me mal.

1 comentário:
Partilhamos da mesma pena...
...e (quase) tudo o que escreves eu comento
quando não sei o que escrever, invento
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