segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

E depois... a palavra



Mas se apesar de tudo se escrever, escreva-se então para estar só.

Herberto Helder (1979), nota para não escrever)


De súbito, quase ternura...
No teu olhar embaciado, quase ternura,
intangível.
Nenhum gesto emanado do amor
deveria ter afinidades com o longínquo.

Nenhum gesto
e depois a palavra desmorona-se
esmiúça-se
desliza
para um lugar tão profundo
no seio do silêncio

lunar
sem peso nem mistério. 




1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

Poeta
que poeta citas

regista

nem todas as palavras terão tal destino
outra se erguem na explosão do grito