terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Cá para nós



 Daniel F. Gerhartz


palavras adormecidas
que despertam…
o canteiro deserto como a árvore
o mar altibaixo, murmulhando
o amor, esse ininteligível  
pensar que se ganha em se perder
a fonte, a ave, a erva, a pedra…

não me parece bem
que fiquem ali ao relento.
cá para nós,
não me parece que estejam ali
ao relento.
não lhes adivinho a exata proporção
do sentido, a pele tocada, o calor do abraço
o fio da faca
a ferida no dedo
a sede
o vigor
a seiva na senda da floração.

por que atalhos chegarão
à altura do sol
à vastidão do vento
à extensão da fome
que lhes infundo?

vejo-as [agora sim]
regressadas à
clausura de um anuído sono
inacabadas
para grandes
ou pequenos
voos.




1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

gosto de fontes, de aves, da erva, da pedra…
e amo a seiva

e o voo

e gosto deste teu poema