Daniel F. Gerhartz
palavras adormecidas
que
despertam…
o canteiro
deserto como a árvore
o mar
altibaixo, murmulhando
o amor, esse ininteligível
pensar que se ganha em se perder
a fonte, a ave,
a erva, a pedra…
não me
parece bem
que fiquem
ali ao relento.
cá para nós,
não me
parece que estejam ali
ao relento.
não lhes adivinho
a exata proporção
do sentido, a pele tocada, o
calor do abraço
o fio da
faca
a ferida no
dedo
a sede
o vigor
a seiva na
senda da floração.
por que
atalhos chegarão
à altura do
sol
à vastidão
do vento
à extensão da fome
que lhes infundo?
vejo-as
[agora sim]
regressadas
à
clausura de
um anuído sono
inacabadas
para grandes
ou pequenos
voos.

1 comentário:
gosto de fontes, de aves, da erva, da pedra…
e amo a seiva
e o voo
e gosto deste teu poema
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