Michael Nápoles
vá,
senta-te aqui comigo
abramos
juntos este livro
[empresto-te
as minhas mãos]
conta-me
a minha vida, outra vez
[empresto-te
a minha voz]
fala-me
dos meus amores, dos desamores
dos cardos, das
rosas dos poemas
das dores.
de
minhas penas diz-me o frémito e o frio
[empresto-te
o meu cachecol]
e
se não for descabido
diz-me a chama do desejo
se é do sol ou do beijo o calafrio…
conta-me
histórias de crianças
daquelas
que eu já não sei:
[empresto-te
o meu olhar]
era
uma vez uma musa
que
desnudou o poeta...
era
uma vez um pastor
uma maçã, uma bruxa…
conta-me.
fala de mim, sem mim.
com
essa perversa afeição
mas
não contes que algum dia,
por acaso ou distração,
eu me perca nas palavras
e te empreste o coração.isso não!

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