segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Se Nada Há de Novo



 

Se nada há de novo e tudo o que há
já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?
Que alguém me mostre, sobre um livro antigo
como quinhentas translações astrais,
a tua imagem, na inscrição, no abrigo
do espírito em seus signos iniciais.
Que eu saiba o que diria o velho mundo
deste milagre que é a tua forma;
se te viram melhor, se me confundo,
se as translações seguem a mesma norma.
    Mas disto estou seguro: antigos textos
    louvaram mais com bem menores pretextos.

William Shakespeare, in Sonetos.

Tradução incluída em Trabalho Poético (2003: p.134), Carlos de Oliveira.





3 comentários:

Graça Pires disse...

O génio de William Shakespeare aliada ao de Carlos de Oliveira. Há sempre coisas novas por aqui, minha amiga Lídia.
Um beijo.

Dilmar Gomes disse...

Cara amiga Lídia, Shakespeare, um poeta e dramaturgo, muito acima da média; aliás, ã poderia ser diferente em se tratando de um gênio.
Um abraço daqui do sul do Brasil. Tenhas uma linda semana.

Rogério G.V. Pereira disse...

"Se nada há de novo e tudo o que há
já dantes era como agora é,
só ilusão a criação será:
criar o já criado para quê?"

(Mudar o mundo não custa muito
leva é tempo)