quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

"Hora da Poesia"




Foi muito gratificante estar ontem no "Hora da Poesia", o programa da Rádio Vizela da responsabilidade de Conceição Lima que, ao longo de cinco anos, tem vindo a fazer um trabalho notável em prol da poesia, lendo-a, divulgando-a, acarinhando-a.
Quando me dirigia para o estúdio ia um pouco apreensiva quanto ao que dizer para preencher um tempo que desejava útil, mas a falta de prática nestas lides e o sem rede do “direto”, ameaçavam. Não foi difícil, porém. A Conceição tem a o dom de tornar tudo fácil. É o modo como somos recebidos, como somos acarinhados que torna familiar o que na verdade nos é estranho.
Leu/disse e comentou poemas de dois dos meus livros – o Sementes Daqui e o Baile de Cítaras – cuja seleção e alinhamento permitiu pôr em destaque marcas da minha poesia que justamente por me ser “carne”, vai escapando à minha perceção. Assiste-se a estas leituras do lado de fora, da outra margem, ao longe, (quantas vezes ao longe se vê e ouve melhor), e podemos intuir o modo como o leitor se relaciona com o que escrevemos.
Não posso deixar de fazer referência à belíssima voz de Rui Dinis e ao seu modo líquido de dizer que torna os poemas muito maiores e até mais perfeitos. A minha gratidão pela surpresa de mos mostrar assim tão bem tratados.
Depois, quando até já me ia esquecendo que estavamos a ser ouvidos, vem aquela chamada do Brasil da Libânia Madureira para dizer um poema. A Libânia juntamente com a Manuela Barroso são duas pessoas/poema. Conhecemo-nos numa apresentação na Unicepe, no Porto, há uns tempos, e, desde logo, a empatia foi forte presença. Só não sabia eu que as duas haveriam de ser comissárias da minha escrita, junto da Conceição Lima… 
E não só!
     Não quero que, o constrangimento nato que me caracteriza aliado à falta da palavra que a emoção dita, possam ser confundidos de alguma maneira com ingratidão. Daí, este texto que afinal se resume a uma só palavra:
GRATIDÃO!

Lídia Borges
(09/02/2017)



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