Júlia Calçada (óleo sobre tela)
O piano invade o poema.
Nota a nota acende-lhe nas sílabas
cintilações de estrelas. Como lágrimas,
livres de cloreto de sódio e
outros sais.
Só água da pura comoção.
Ah, o modo como a música
despe e afaga,
a minúcia com que liberta dos
sentidos,
os traços a régua, as marcas,
os riscos,
a película que não deixa tocar
a substância salubre da essência
do sentir.

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