seara afora,
os passos, sem sombra nem sobressalto. linfa apenas.
a luz em
lenta cadência serena a hora. e a nau
que cruzou
ventos procelosos retorna ao cais, incólume.
reconta-se a
história. é ela o fio que liga o tempo
e o desfiará
até ao derradeiro pingo de vida. nela as palavras
abrem
passagem como se nascessem no agora de cada instante.
e, contudo,
velhas são nesse nascer. desintegram-se
como as
alfazemas secas dentro do frasco sem rótulo,
sobre o
armário. pó, ao mais leve toque dos dedos. do aroma, quem saberá? delido que
foi no mofo do abandono. desforra, dó, adoração?
apesar
disso, na bonomia da manhã, existências súbitas.
esfregam os
olhos doridos de incessantes nascenças. trôpegas,
embatem nos
espelhos, desfiguram-se, transfiguram-se, julgam
o sempre
visto pelo assombro do nunca visto. e não veem, nunca veem.
para quê um
poema mais? – questiono.
um
poema-ruído, um poema-contestação, um poema-pena, um poema-tudo
um
poema-desolação, um poema-amor, um poema-pouco? para quê um poema mais?
deixarei mil
versos guardados no limbo do meu esquecimento voluntário
como se um
saber longínquo e desconhecido
inesperadamente mo viesse ordenar
com palavras velhas acabadas de nascer.
inesperadamente mo viesse ordenar
com palavras velhas acabadas de nascer.

Sem comentários:
Enviar um comentário