(Imagem Google s/ ind. autoria)
Porque hoje, ao chegar a casa, tinha no tapete da entrada
três gatinhos, comodamente instalados, como se para ficarem.
A avó mandava a velha Emerenciana
afogar,
num balde tapado,
os
gatinhos acabados de nascer.
Eu sentia um desgosto
todo feito de raiva e lágrimas.
todo feito de raiva e lágrimas.
Já o meu
irmão, imperturbável,
desafiava todas as regras,
desafiava todas as regras,
sabia ludibriar
a atenção da sega-vidas.
Tirava os gatinhos da água
e
embrulhava-os na toalha que eu segurava,
tomada
pelo medo de sermos apanhados
em
flagrante ato de salvamento.
Levava-os
para debaixo do tanque,
no
cantinho mais escondido do pátio
com a gata atrás, a miar em desespero.
com a gata atrás, a miar em desespero.
Quando o
balde era destapado…
Eu e o
meu irmão, lado a lado, firmes e inocentes.
E a avó
sem moral para nos castigar
mas ainda assim fingindo zanga: tanto gato, tanto gato!
mas ainda assim fingindo zanga: tanto gato, tanto gato!
Por essa
altura, a gata já tinha tratado de pôr a salvo
um a um, os seus filhotes.

2 comentários:
O sentido prático da avó vencido pela alma enorme, que tudo abarcava, dos netos...
«firmes e inocentes»
A firmeza associada à inocência? Gosto
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