domingo, 12 de março de 2017

Tanto gato, tanto gato!

(Imagem Google s/ ind. autoria)
 
Porque hoje, ao chegar a casa, tinha no tapete da entrada
três gatinhos, comodamente instalados, como se para ficarem.

A avó mandava a velha Emerenciana 
afogar, num balde tapado,
os gatinhos acabados de nascer.
Eu sentia um desgosto 
todo feito de raiva e lágrimas.
Já o meu irmão, imperturbável,
desafiava todas as regras,
sabia ludibriar a atenção da sega-vidas. 
Tirava os gatinhos da água
e embrulhava-os na toalha que eu segurava,
tomada pelo medo de sermos apanhados
em flagrante ato de salvamento. 
Levava-os para debaixo do tanque,
no cantinho mais escondido do pátio
com a gata atrás, a miar em desespero.

Quando o balde era destapado…
Eu e o meu irmão, lado a lado, firmes e inocentes.
E a avó sem moral para nos castigar
mas ainda assim fingindo zanga: tanto gato, tanto gato!
Por essa altura, a gata já tinha tratado de pôr a salvo
um a um, os seus filhotes.

O meu irmão era o meu herói.






2 comentários:

AC disse...

O sentido prático da avó vencido pela alma enorme, que tudo abarcava, dos netos...

Rogério G.V. Pereira disse...

«firmes e inocentes»

A firmeza associada à inocência? Gosto