é abril outra vez
revoam os pássaros
longamente
e o vento guarda nos
plátanos
uma canção de amor que foi
nossa.
eu e tu, tanta sandália
para gastar
o rio suspenso das mãos
dadas.
entraremos no bar da
margem, outra vez
a música em jeito de harpa
ao fundo
os corpos como barcos a
navegá-la
beijar-te-ei outra vez
e...
outra vez saudaremos
alegremente pelas ruas
a cor da liberdade.
os versos lançados ao rio
só depois
quando os olhos forem
morar na floresta
onde arde a raiz dos sonhos.
vê como revoam os pássaros
longamente
as sandálias gastas, o rio
em seu leito
correndo ainda e as nossas mãos
dadas.
é abril outra vez.

2 comentários:
Li, reli, disse-o em voz alta e é uma profunda emoção esta analepse da vida onde as sandálias se foram gastando com uma alma aberta para a poesia, para o belo.
Uma nostalgia entrou por esta janela virtual.Senti o poema como meu.
"outra vez saudaremos
alegremente pelas ruas
a cor da liberdade."
Também posso ir?
Maravilhoso poema, Lídia.
Uma boa semana.
Um beijo.
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