a existência evadiu-se
do corpo natural que era.
sustém-se no espaço em
branco
entre linhas tortas e
delira. e tudo é brando
até ao cerne de tudo.
mesmo da respiração
se dirá agora - melodia.
como Antero estendo os
braços:
“adoro e aspiro unicamente à liberdade” *
é sempre
assim, quando
um inusitado
desvendamento
banha como
vaga de limpidez
o olhar...
e tudo que é
excessivo eu excluo,
eu repudio. a demasia arranca o brilho
ao puro
coração das coisas cristalinas.
e eu sofro.
é sempre
assim
quando o querer
não se inclina
segundo as
obliquidades
e os ângulos agudos de insanos vates .
deve ser da
própria condição das mãos,
das palavras
esvoaçarem
assim em absoluta
emancipação.
emancipação.
gosto de as
ver indomadas,
andorinhas
reais furtadas
à hediondez
de remotos céus
desabitados.
*Do soneto Evolução,
Antero de Quental.
(pintura de minha autoria. Óleo sobre tela, 80X60)

1 comentário:
Belíssimo!
Bj
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