domingo, 27 de agosto de 2017

A minha árvore doente

   
                                                                                                                                            (foto minha/27/08/2017)


      Velhinha, a pequena macieira! Deve ter-lhe custado muito dar estas maçãs. Ninguém a cuida, para além da rega e da poda, ninguém repara nela e até os pardais parecem desprezá-la, escolhendo outros ramos mais robustos para fazerem os ninhos. Nunca permiti que a derrubassem, mesmo que, no decorrer dos quase trinta anos que conta, não tenha dado um único fruto que tivesse chegado a "grande". Habituei-me a gostar dela, só por ela, pela sombrinha que projeta nas pedras quentes do pátio nas tardes de verão, pelas florinhas efémeras, brancas e frágeis e raras, a cada primavera. Há uns anos, cheguei a escrever um conto para os miúdos, inspirado nela a que chamei - A minha árvore doente.
     Este ano, não sei como aconteceu. Deu tanta flor!...
Deve ter sido um grande esforço para ela criar estas maçãs. Vejo-as como uma dádiva, um modo que ela encontrou de dizer, na sua linguagem vegetal: estou aqui, estou viva...





2 comentários:

chica disse...

Que lindas maçãs e adorei o emocionado reconhecimento à velha amiga... bjs, chica

Graça Sampaio disse...

... e bem viva! Lindas as maçãs!