Velhinha, a pequena macieira! Deve ter-lhe custado muito dar estas
maçãs. Ninguém a cuida, para além da rega e da poda, ninguém repara nela
e até os pardais parecem desprezá-la, escolhendo outros ramos mais
robustos para fazerem os ninhos. Nunca permiti que a derrubassem, mesmo
que, no decorrer dos quase trinta anos que conta, não tenha dado um
único fruto que tivesse chegado a "grande". Habituei-me a gostar dela, só por
ela, pela sombrinha que projeta nas pedras quentes do pátio nas
tardes de verão, pelas florinhas efémeras, brancas e frágeis e raras, a
cada primavera. Há uns anos, cheguei a escrever um conto para os
miúdos, inspirado nela a que chamei - A minha árvore doente.
Este ano, não sei como aconteceu. Deu tanta flor!...
Deve ter sido um grande esforço para ela criar estas maçãs. Vejo-as como uma dádiva, um modo que ela encontrou de dizer, na sua linguagem vegetal: estou aqui, estou viva...
Este ano, não sei como aconteceu. Deu tanta flor!...
Deve ter sido um grande esforço para ela criar estas maçãs. Vejo-as como uma dádiva, um modo que ela encontrou de dizer, na sua linguagem vegetal: estou aqui, estou viva...

2 comentários:
Que lindas maçãs e adorei o emocionado reconhecimento à velha amiga... bjs, chica
... e bem viva! Lindas as maçãs!
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