(imagem s/ ind. autoria)
a terra extenuada parece rogar repouso
para as raízes que alberga,
subtilmente
pressente-se
às mãos do vento
um
dedilhar de galhos secos
a quebrarem-se contra
a parede escarlate
do entardecer. uma
febre fria,
um
rubor esmaecido a tingir o horizonte
e a
luz a deixar-se morrer,
vagarosamente
vagarosamente
o
lusco-fusco acerca-nos,
como mantilha tapa-nos os ombros
e deixa em nós uma perturbação qualquer,
indefinível.
demoramos
a esfumar, a fundir
os tons findos do dia
com os tons primeiros da noite.
desvanecimento, tontura
ou desvario? pouco importa.
não
tarda nada,
regressarás
pelos sentidos ao cheiro do feno
ao
chapéu de palha sobre as tranças
às
cavaqueias em redor
de amontoados de espigas, no centro da eira,
para desfolhar à
tardinha entre cantigas:
o
milho-rei, o beijo ou o abraço,
o riso ritmado da concertina
o
vinho nas gargantas acesas.
não
tarda nada,
todos
vivos para a festa da Vida,
a
alegria a fazer-se outra vez colheita.
não tarda nada.

Sem comentários:
Enviar um comentário