terça-feira, 3 de outubro de 2017

abelha




havia uma abelha na flor dos versos
uma lumieira de sol no meio do poema.
e o mel.
mas o carteiro veio. deixou o jornal e...
não se vislumbra numa só notícia
um ínfimo espaço aberto à poesia.
de nada vale desfibrilhar o coração do poema.
uma caligrafia novembrina
arqueja
sob as asas mortas de uma abelha
desaparecida.
à flor dos versos,
segregado o mel da boca,
a penumbra desce, bruma densa
a pontuar sarcasticamente
o cristal do dia.


 (imagem: Naza)




1 comentário:

Rosemildo Sales Furtado disse...

Oi Lídia! Passando para agradecer e dizer que fiquei muito feliz com a tua visita e teu amável comentário com tão bela mensagem de felicitações e carinho quando da passagem do nosso aniversário, meu e dos meus dois filhos. Muito obrigado de coração.

Antigamente, ao abrir um jornal, sempre tínhamos o prazer de vislumbrar um belo poema, hoje é só corrupção. Belo poema amiga.

Abraços,

Furtado