e por vezes, uma abelha, apenas a alegria
breve de uma manhã de sol
e por vezes, o mel, tão-só um fio de
versos
e por vezes, o mundo, vã prosa
a desfigurar a poesia,
e por vezes, a poesia, ferida
no centro de um coração.
e por vezes tudo isto, pouca coisa,
tudo isto, outra coisa
basta que outros, os olhos,
que distintos o pensar, o sentir, o
ser,
na senda imperfeita do verso.
e por vezes, uma seca sem medida
um desejo de partida…e por vezes
e por vezes…
mais teimoso que um burro,
o poema abarca tudo, diz
até mesmo o que não diz
e se estranha, sisudo.
e por vezes, só por vezes, o poema,
as palas estraçalha
e cega e vê... o tudo em nada
e cega e vê... o tudo em nada
o nada em tudo:
quem o lê e reescreve é quem o faz e desfaz
quem o diz, quem o desdiz...
e por vezes, o poema coça o caco
(se não é burro
é macaco)
resmunga, torce o nariz…
faz-se surdo, faz-se mudo
e retorna à nascente
indiferente a isto tudo.

2 comentários:
Um poema muito belo.
Beijinhos,
Ailime
Ausente
durante um tempo
percebo que desenvolveste
estilo diferente
gosto
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