Com este meu irmão, a comunicação faz-se pelo coração. Isto porque somos gémeos,
embora ele tenha nascido quase catorze anos mais tarde do que eu. Mas eu e ele
usamos a cabeça e as palavras do mesmíssimo modo, isto é, pelo trilho
das emoções. Quando, no meu texto intitulado, Domingo (a quente), utilizei algumas palavras suas, não as estranhei
em nada, nem mesmo na comparação do ruído do fogo com o barafustar do mar, numa
situação de stress como a que estávamos a viver. É assim que nos entendemos melhor. Não empolguei descrições, muito pelo contrário,
omiti frases como por exemplo: “é hoje que isto vai tudo… “
Não
foi. Pela ação imprescindível dos Bombeiros que «chegaram a tempo e trabalharam
muito e fizeram-no tão bem que nos salvaram as habitações, (a ele e aos vizinhos), quando já tudo
parecia perdido…» (são outra vez palavras do meu irmão, num agradecimento
público a estes homens incansáveis que nos engrandecem e nos fazem sentir
orgulhosos da gente que somos).
O
que também me fez sentir de alma lavada, foi ver o empenho de familiares e
amigos que, de todo o lado, se fizeram presentes, através de mensagens,
telefonemas, e-mails, que íamos recebendo, de modo intermitente, por falhas sucessivas
de eletricidade e comunicações.
A
minha gratidão a estas pessoas durará enquanto eu durar. Não quero nomear ninguém
em particular, mas a lista é tão grande que enche um coração.
Esta
noite não consegui dormir. Alguma coisa deambula no peito ainda, não sabendo
bem onde se arrumar. Pus-me a pensar que até ao Facebook/Messenger (com quem
não simpatizo particularmente), tenho de agradecer, pois que me permitiu manter o contacto com familiares, (em Moçambique e na Noruega), que naturalmente
se encontravam apreensivos com o que aqui estávamos a passar.
Pensei
ainda naqueles que não sabem distinguir um texto literário de outros tipos de
texto e, julgam os outros por eles próprios, em total desrespeito pelo
sofrimento alheio. A esses dedico este último parágrafo e… mais nada!

1 comentário:
Pena que seja em situações tão extremas
que a verdadeira solidariedade humana se revele
Guarde-mo-la em nossa memória
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