terça-feira, 17 de outubro de 2017

Terça-feira (mais a frio)



Com este meu irmão, a comunicação faz-se pelo coração. Isto porque somos gémeos, embora ele tenha nascido quase catorze anos mais tarde do que eu. Mas eu e ele usamos a cabeça e as palavras do mesmíssimo modo, isto é, pelo trilho das emoções. Quando, no meu texto intitulado, Domingo (a quente), utilizei algumas palavras suas, não as estranhei em nada, nem mesmo na comparação do ruído do fogo com o barafustar do mar, numa situação de stress como a que estávamos a viver. É assim que nos entendemos melhor. Não empolguei descrições, muito pelo contrário, omiti frases como por exemplo: “é hoje que isto vai tudo… “

Não foi. Pela ação imprescindível dos Bombeiros que «chegaram a tempo e trabalharam muito e fizeram-no tão bem que nos salvaram as habitações, (a ele e aos vizinhos), quando já tudo parecia perdido…» (são outra vez palavras do meu irmão, num agradecimento público a estes homens incansáveis que nos engrandecem e nos fazem sentir orgulhosos da gente que somos).
O que também me fez sentir de alma lavada, foi ver o empenho de familiares e amigos que, de todo o lado, se fizeram presentes, através de mensagens, telefonemas, e-mails, que íamos recebendo, de modo intermitente, por falhas sucessivas de eletricidade e comunicações.
A minha gratidão a estas pessoas durará enquanto eu durar. Não quero nomear ninguém em particular, mas a lista é tão grande que enche um coração.

Esta noite não consegui dormir. Alguma coisa deambula no peito ainda, não sabendo bem onde se arrumar. Pus-me a pensar que até ao Facebook/Messenger (com quem não simpatizo particularmente), tenho de agradecer, pois que me permitiu manter o contacto com familiares, (em Moçambique e na Noruega), que naturalmente se encontravam apreensivos com o que aqui estávamos a passar.
Pensei ainda naqueles que não sabem distinguir um texto literário de outros tipos de texto e, julgam os outros por eles próprios, em total desrespeito pelo sofrimento alheio. A esses dedico este último parágrafo e… mais nada!


1 comentário:

Rogério G.V. Pereira disse...

Pena que seja em situações tão extremas
que a verdadeira solidariedade humana se revele

Guarde-mo-la em nossa memória