
Ter na agenda um encontro com estudantes para "chamar" a Poesia, obriga-me a revisitar os meus escritos, publicados em livro. Este é sempre um processo "complicadinho". Porquê?! Porque o tempo opera em nós mudanças e... fica-se inconscientemente a temer a dimensão dessas mudanças, os estragos do tempo na lupa que apontamos ao mundo e a nós mesmos, a comparação do ontem com o hoje... Curiosamente, encontrei-me - a mesma de sempre, [para o bem e para o mal].
É este o cenário
Este é o cenário:
raízes de um poema inacabado,
envelhecendo,
uma vidraça atravessada por um deserto,
um tremor de folhas caído na aragem
e um rio
um rio em convulsão
para arredondamento de pedras e silêncios.
Podes navegar nos teus livros
afundar-te nos seus segredos
que ninguém te arrancará à magreza
de um solo onde não vingam promessas
nem fulgurações.
apenas esses rebentos de luz
que vejo no prado dos teus olhos.
É este o cenário.
Junte-se-lhe um cavaleiro, um moinho, uma lança.
Lídia Borges (2013:p.14), Sementes Daqui, Poética Edições
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