Que
faço da Poesia um modo de respirar não será novidade para quem me conhece, mas,
cada vez mais me sinto “engasgada” se alguma pessoa, daquelas a que não se
sabe dizer não, me pede para dizer/ler
um poema, publicamente. Fico ansiosa como se um poema mal dito/lido no momento
do seu “aparecimento” ficasse para todo o sempre estropiado, condenado ao fracasso. É uma
responsabilidade maior. Já vi muitos poemas assassinados cruelmente pelos seus “dizedores”.
Hoje, pediram-me dois. Percebi logo que nenhum deles corria perigo. Eram bem maiores do que qualquer voz que se lhes emprestasse. Foi no auditório do Colégio Dom Diogo de Sousa, em Braga,
onde as baixas temperaturas não se fizeram sentir, já que reencontros, abraços,
sorrisos, flores e palavras, depressa se transformaram em amena quentura. Decorreu nesse
acolhedor espaço a Sessão de Apresentação do novo livro de poemas de Maria Isabel Fidalgo
- À roda da saia, Poética Edições.
Um carinho especial liga-me à Maria Isabel e à sua poesia ou, melhor dizendo, à poesia e à pessoa que a escreve, pois, por esta ordem é que o nosso “encontro”, (por fortuna minha e dela também, julgo eu) aconteceu.
Foi
uma boa tarde, a de hoje. Uma boa tarde de Poesia, uma tarde de boa Poesia.
Sobre
o livro…
Deixemo-lo
falar por si:
As rodas da saia I
Minha
mãe deu-me uma saia
A
saia de sua mãe
A
saia roda no corpo
da
minha filha também
minha
neta pequenina
anda
também a rodar
na
roda da saia dela
em
todas que há de gerar
a
saia roda no tempo
das
rodas que o tempo tem
e
por mais que rode a saia
não
lhe escapará ninguém.
Maria
Isabel Fidalgo, À roda da saia, (jan,
2018:p.12), Poética Edições.
(Hei de voltar a este livro, que as voltas da saia, as voltas que o tempo dá e as que a vida desenha são voltas de mais para um só poema.)
(Hei de voltar a este livro, que as voltas da saia, as voltas que o tempo dá e as que a vida desenha são voltas de mais para um só poema.)

2 comentários:
Quando há cumplicidades poéticas
nunca nos sai a palavra
nem trémula nem errada
a roda da saia
merece até ser cantada
Dizer da gratidão é pouco. É das rodas da saia que a nossa amizade se faz, cada vez mais roda, cada vez mais saia.
Um grande beijo.
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