sábado, 13 de janeiro de 2018

À roda da saia




Que faço da Poesia um modo de respirar não será novidade para quem me conhece, mas, cada vez mais me sinto “engasgada” se alguma pessoa, daquelas a que não se sabe dizer não, me pede para dizer/ler um poema, publicamente. Fico ansiosa como se um poema mal dito/lido no momento do seu “aparecimento” ficasse para todo o sempre estropiado, condenado ao fracasso. É uma responsabilidade maior. Já vi muitos poemas assassinados cruelmente pelos seus “dizedores”. Hoje, pediram-me dois. Percebi logo que nenhum deles corria perigo. Eram bem maiores do que qualquer voz que se lhes emprestasse.   Foi no auditório do Colégio Dom Diogo de Sousa, em Braga, onde as baixas temperaturas não se fizeram sentir, já que reencontros, abraços, sorrisos, flores e palavras, depressa se transformaram em amena quentura. Decorreu nesse acolhedor espaço a Sessão de Apresentação do novo livro de poemas de Maria Isabel Fidalgo - À roda da saia, Poética Edições. Um carinho especial liga-me à Maria Isabel e à sua poesia ou, melhor dizendo, à poesia e à pessoa que a escreve, pois, por esta ordem é que o nosso “encontro”, (por fortuna minha e dela também, julgo eu) aconteceu.
Foi uma boa tarde, a de hoje. Uma boa tarde de Poesia, uma tarde de boa Poesia.

Sobre o livro…
Deixemo-lo falar por si:

As rodas da saia I

Minha mãe deu-me uma saia
A saia de sua mãe
A saia roda no corpo
da minha filha também
minha neta pequenina
anda também a rodar
na roda da saia dela
em todas que há de gerar
a saia roda no tempo
das rodas que o tempo tem
e por mais que rode a saia
não lhe escapará ninguém.

Maria Isabel Fidalgo, À roda da saia, (jan, 2018:p.12), Poética Edições.

(Hei de voltar a este livro, que as voltas da saia, as voltas que o tempo dá e as que  a vida desenha são voltas de mais para um só poema.)



2 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Quando há cumplicidades poéticas
nunca nos sai a palavra
nem trémula nem errada

a roda da saia
merece até ser cantada

Ibel disse...

Dizer da gratidão é pouco. É das rodas da saia que a nossa amizade se faz, cada vez mais roda, cada vez mais saia.

Um grande beijo.