(pesquisa sem ind. autoria)
A
luz enverniza os limoeiros
levemente embalados pelo vento
...
...
Perguntas a
quem interessa esta imagem
[projetada na
janela da sala]
se os dias lá
fora são mais ácidos que limões
e os olhos, maioritariamente,
já renunciaram
a essas coisas ávidas de amarelo:
sol,
pássaros, limões, maçãs, girassóis… poemas.
Coisas que
estão ali só porque estão ali
sem nenhuma
razão concreta para estarem ali,
coisas que estariam
ali
mesmo que casas
e rostos não tivessem janelas.
Os olhos crescem
– insistes - procuram agora cobiçosamente
outras fórmulas,
outras luzes que encham o coração.
Digo-te que
não, que não há forma de encher um coração
de pálpebras cerradas.
E insisto,
até que me provem
não ser o
verniz das folhas dos limoeiros, luz
não ter
braços de embalar, o vento,
eu insisto:
eu insisto:
a luz
enverniza os limoeiros
levemente embalados
pelo vento
…
Deixa-me agora
continuar a
escrever o poema.
