quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Eu insisto



 (pesquisa sem ind. autoria)
A luz enverniza os limoeiros
levemente embalados pelo vento
...
Perguntas a quem interessa esta imagem
[projetada na janela da sala]
se os dias lá fora são mais ácidos que limões
e os olhos, maioritariamente,
já renunciaram a essas coisas ávidas de amarelo:
sol, pássaros, limões, maçãs, girassóis… poemas.
Coisas que estão ali só porque estão ali
sem nenhuma razão concreta para estarem ali,
coisas que estariam ali
mesmo que casas e rostos não tivessem janelas.
Os olhos crescem – insistes - procuram agora cobiçosamente
outras fórmulas, outras luzes que encham o coração.
Digo-te que não, que não há forma de encher um coração
de pálpebras cerradas. E insisto,
até que me provem   
não ser o verniz das folhas dos limoeiros, luz
não ter braços de embalar, o vento, 
eu insisto:
a luz enverniza os limoeiros
levemente embalados pelo vento
Deixa-me agora
continuar a escrever o poema.