segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Sem título




Primeiro é o amarelo inicial e tímido
das mimosas… não,
primeiro, é a música nos bicos dos pardais,
anterior ainda ao nascimento do dia.
Perfuram as paredes da casa
e atingem a penumbra com brilhos sonoros
para afugentar a noite.
Só depois então a amplitude da cor,
a propagação da ternura e da mansidão.
E a graça matutina das mimosas, a rimar.
Sobre a mesa um chão liso e branco.
Em espera. O chão-terra que torna possíveis
as impossibilidades ante a crueldade do mundo.
Todos os dias, flores nascem ainda.
Perplexas e belas.