sexta-feira, 25 de maio de 2018

Opinião


(Da) Eutanásia

Sobre o assunto, tenho a minha opinião: sou a favor.
PORQUE:

Lado A

 - não serei “corajosa” o bastante para viver quando a vida já não me tiver.

 - tenho um pavor (pavoroso) da dor sem remédio. Da do corpo, mas sobretudo da outra, daquela que vai cortando fininho, minando, sugando a energia, enfraquecendo, dia após dia, até à extinção completa da autonomia e da dignidade.

 - tenho pavor da dor que a minha dor possa infringir aos "meus". (Fazes falta? Ó sombra fútil chamada gente! / Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém... / Sem ti correrá tudo sem ti - Cala-te lá, ó Álvaro. Dispenso a tua intromissão, aqui, neste agora.) 

 - tenho como um princípio e um direito poder escolher o que fazer comigo, em qualquer dos estádios da minha vida adulta, o que incluiu, naturalmente, o momento em que a qualidade de vida deixa de compensar a quantidade da mesma.

 - a vida, pode ser mais penosa que a morte. Nesses casos, prolongá-la é punir, não é amar. Ficar à espera de uma “ordem” vinda do céu, não me parece razoável, pois que o divino já deu mostras de não ser capaz de amparar, (de demarcar) o sofrimento dos homens.

Mas…

E não cantes, como eu, a vida por bebedeira.- A. Campos

Lado B

 - tudo quanto consta no lado A, perde automaticamente a validade se a decisão da morte assistida puder ser tomada por terceiros.

 - em nenhuma circunstância esses deverão ter o direito de decidir o que em mim se fará.

 - apenas ao próprio deve ser pedida a responsabilidade pela tomada de decisão, enquanto o mesmo for considerado apto, no domínio das suas faculdades mentais.

 - o “já não quero viver” terá de ser conjugado única e exclusivamente na primeira pessoa, quando o sofrimento for considerado, sob o ponto de vista científico, irreversível. (Felizmente, hoje, a medicina já sabe identificar tais estados, sem margem de erro.)

Tenho dito. 

(Está escrito para uso futuro, quando a liberdade de escolha for.)