(Da) Eutanásia
Sobre o
assunto, tenho a minha opinião: sou a favor.
PORQUE:
Lado A
- não serei “corajosa” o bastante para viver
quando a vida já não me tiver.
- tenho um pavor (pavoroso) da dor sem remédio.
Da do corpo, mas sobretudo da outra, daquela que vai cortando fininho, minando, sugando a energia, enfraquecendo, dia após dia, até à extinção completa da
autonomia e da dignidade.
- tenho pavor da dor que a minha dor possa
infringir aos "meus". (Fazes falta? Ó
sombra fútil chamada gente! / Ninguém faz falta; não fazes falta a ninguém... /
Sem ti correrá tudo sem ti - Cala-te lá, ó Álvaro. Dispenso a tua
intromissão, aqui, neste agora.)
- tenho como um princípio e um direito poder escolher
o que fazer comigo, em qualquer dos estádios da minha vida adulta, o que
incluiu, naturalmente, o momento em que a qualidade de vida deixa de compensar a quantidade da
mesma.
- a vida, pode ser
mais penosa que a morte. Nesses casos, prolongá-la é punir, não é amar. Ficar à
espera de uma “ordem” vinda do céu, não me parece razoável, pois que o divino
já deu mostras de não ser capaz de amparar, (de demarcar) o sofrimento dos
homens.
Mas…
E não cantes, como eu, a vida por
bebedeira.- A. Campos
Lado B
- tudo quanto consta no lado A, perde automaticamente
a validade se a decisão da morte assistida puder ser tomada por terceiros.
- em nenhuma circunstância esses deverão ter o
direito de decidir o que em mim se fará.
- apenas ao próprio deve ser pedida a responsabilidade
pela tomada de decisão, enquanto o mesmo for considerado apto, no domínio das
suas faculdades mentais.
- o “já não quero viver” terá de ser conjugado
única e exclusivamente na primeira pessoa, quando o sofrimento for considerado,
sob o ponto de vista científico, irreversível. (Felizmente, hoje, a medicina já
sabe identificar tais estados, sem margem de erro.)
Tenho dito.
(Está escrito para uso futuro, quando a liberdade de escolha for.)
