quarta-feira, 9 de maio de 2018

"Strelitz"


Vejo-as todos os dias, logo pela manhã, ao abrir a janela. - São aves do paraíso – dizem-me, hoje, sem nenhum deslumbre na voz.  Faço aquela expressão que alguns me conhecem, (antiquíssima) de abrir muito os olhos, quando alguma coisa óbvia me acerta em cheio na ignorância. 
E eu, desde sempre, a chamar-lhes estrelícias, como se estrelas-delícias, a homenagear a rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, mulher de Jorge III, rei do Reino da Grã-Bretanha, lá longe, podendo fixar-me no éden, tão aqui à porta…


 


Aves do paraíso,
voos livres com raiz.
Ao alto,
o azul cobalto
e o laranja-lume
confirmam o que é costume:
entre o frio da razão
e o calor do coração,
umas vezes sim,
outras vezes não.







Lídia Borges