Vejo-as todos os dias, logo pela manhã, ao abrir a
janela. - São aves do paraíso –
dizem-me, hoje, sem nenhum deslumbre na voz. Faço aquela expressão que alguns me conhecem, (antiquíssima) de
abrir muito os olhos, quando alguma coisa óbvia me acerta em cheio na
ignorância.
E eu, desde sempre, a chamar-lhes estrelícias, como se estrelas-delícias,
a homenagear a rainha Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, mulher de Jorge III, rei do Reino da Grã-Bretanha, lá
longe, podendo fixar-me no éden, tão aqui à porta…
Aves do paraíso,
voos livres
com raiz.
Ao alto,
o azul
cobalto
e o laranja-lume
confirmam o que é costume:
entre o frio
da razão
e o calor do
coração,
umas vezes
sim,
outras vezes
não.
Lídia Borges
