quarta-feira, 13 de junho de 2018

Sobre o amor


Jef Larson

Os poemas deformam-se nas idades de dedos 
dormentes.
Em rotação difusa sobre o amor, sobre ti
escolho o silêncio. Aqui e ali
um verbo apolíneo isento de êxtases
para conjugar irmão, amigo, abrigo
e a serenidade da seiva vertida do coração,
lentíssimo.

Sobre o amor, sobre ti
não existem terras por descobrir nem caravelas de partida.
Aprendi-te, aprendi-me
e palavra nenhuma deve ser escrita
na melancólica toada deste novo mundo novo
dos poemas onde coexistimos.

Perco definitivamente o medo de ser feliz 
nos instantes que sobrevivem à geada,
deslembrada da dor do retorno
às ruas brumosas do porvir.