sexta-feira, 15 de junho de 2018

"Prelúdio" - Miguel Torga


Alexander Zavarin

Reteso as cordas desta velha lira,
Tonta viola que de mão em mão
Se afina e desafina, e donde ninguém tira
Senão acordes de inquietação.


Chegou a minha vez, e não hesito:
Quero ao menos falhar em tom agudo.
Cada som como um grito
Que no seu desespero diga tudo.


E arrepelo a cítara divina.
Agora ou nunca – meu refrão antigo.
O destino destina,
Mas o resto é comigo.



Miguel Torga (2014:p.84), Antologia Poética, 7.ª edição.