O
amor não é o meu tema,
O
meu tema é esse nó dobrado
na
garganta do mundo.
É
um pássaro livre, apenas,
no
exíguo céu de um verso.
O
meu tema é o vento desabrido,
o
mar revolto, o naufrágio
a terra à vista,
o
trovão, a tempestade,
a alienação.
O
meu tema é esta voz antiga
a
empurrar-me continuamente
para
dentro do poema, cais,
barcos
muros
gritos
ecos
medos
águas tenebrosas
em febril torrente,
desaguadas.
Ocasionalmente,
o
Sol
nascido da alba de um olhar
desviado.
O meu tema, a Esperança,
ainda
que ela se tenha tornado
uma
velha ranzinza
de
mãos ossudas
e pés p'ra cova.
(imagem: Sun Kissed)
