A uns dias do encontro, em Braga, de autores da "Poética Edições" em comemoração dos cinco anos da Editora, foi-nos sugerido que, no dia 28, partilhássemos uns com os outros e com o público que eventualmente se queira juntar a nós, uma "história" de infância que nos tenha ficado na memória. Tenho andado por aqui a apanhar flores e gafanhotos, a subir às árvores, a correr atrás dos gatos. Ufa!... Estou cansada que já não é o que era o coração. Mas... acabo de me salvar. Lembrei-me, miraculosamente, do meu primeiro livro No espanto das mãos- o verbo - (Que título desgraçado!). Tive até medo de o abrir... Mas, afinal não é tão assustador quanto isso. Vou reconciliar-me com ele e com as palavras todas que nele escrevi. De momento, interessam-me as de bibe. Tenho lá tudo o que preciso para o dia 28.
(Das) Memórias
Tinha um bolso grande... o bibe.
Dentro do bolso só as mãos vazias
à procura de vozes, de colo, do beijo.
[...]
Da clarabóia aberta pendia uma tosca escada de corda.
Descalçou-se
segurou a escada com mãos pequeninas
...
Timidamente foi subindo, subindo, subindo...
Tão alto! Para além do pensamento,
Quando se lembraram dela,
já ninguém a pôde alcançar.
Era tarde de mais!...
Sozinha tinha aprendido a voar.
Lídia Borges, No Espanto das mãos- o Verbo
Ainda no âmbito da comemoração do aniversário da Poética, sairá um livro com a participação de todos(?) os autores que "dissertaram" sobre uma palavra de escolha livre. A minha? - Idades. É um pequeno conto [quase] inventado.
(a imagem é um esboço (ainda) da capa, a necessitar de ajustes)

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