Jeffrey Larson
Agora que não se distinguem já
vestígios de passos na tarde,
escrevo
e não sei ainda a que floresta
me levam as palavras.
Sigo-as apenas,
vagas de azul e sal
a cruzarem [me] o peito.
Afinal é só isto o que sou,
aqui mesmo,
um lugar distante, uma ilha
cercada de vozes por todos os lados.
Portas imóveis
tornadas ausências
e os sentidos absortos
debruçados
sobre coisas
que existem além das palavras,
coisas de sol, singulares
que crescem violentamente
para a noite
a certas horas
de certos dias nebulosos
filhos,
sau...da...de,
flores de água
luzindo,
ardendo.
