(imagem google s/ ind. autoria)
Como asas mumificadas as
mãos
aguardam, suspensas
sobre
prelúdios e tensões em
véspera do voo.
Inibem profundamente o
respirar em redor. Ruído
excessivo no absoluto do
instante.
Lentamente o pianista deixa
cair os dedos,
passinhos ligeiros de
pardais sobre as teclas.
E um fio de música intenso e
terebrante
transborda em reverberações
de água
e timbres de luz,
alma adentro.
Ainda que só por
instantes
a beleza suprema abeira-se
miraculosamente do possível.
Lídia Borges, Baile de Cítaras (2015), Poética Edições
