segunda-feira, 30 de julho de 2018

Música


 (imagem google s/ ind. autoria)


Como asas mumificadas as mãos
aguardam, suspensas sobre 
prelúdios e tensões em véspera do voo.
Inibem profundamente o respirar em redor. Ruído
excessivo no absoluto do instante.
Lentamente o pianista deixa cair os dedos,
passinhos ligeiros de pardais sobre as teclas.
E um fio de música intenso e terebrante
transborda em reverberações de água
e timbres de luz,
alma adentro.

Ainda que só por instantes 
a beleza suprema abeira-se
miraculosamente do possível.

Lídia Borges, Baile de Cítaras (2015), Poética Edições