«Se alguma vez, nos salões de um palácio, sobre a erva
de uma vala ou na solidão morna do vosso quarto, acordardes de uma embriaguez
evanescente ou desaparecida, perguntai ao vento, à vaga, ao pássaro, ao relógio,
a tudo o que foge, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a
tudo o que fala, perguntai-lhes que horas são; e o vento a vaga, a estrela, o
pássaro, o relógio, vos responderão: São horas de vos embriagardes! Para não
serdes escravos martirizados do tempo, embriagai-vos; embriagai-vos sem cessar!
Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, à vossa escolha. Mas
embriagai-vos! Deslumbrai-vos!»
in Le Speen de Paris, Baudelaire,
(151 anos da sua morte, 31 de agosto de 1867)