Agosto, 2018
6 horas da manhã
O galo canta a despertar
o poema,
relógio que vem de longe
sem falta nem avaria.
É a hora
da lucidez eclodir com estrondo.
Na aragem fresca da manhã
alguma coisa indefinida, indefinível
amainou as iras do tempo.
E o ar é por inteiro carícia,
e não há
como lhe resistir.
Deuses e demónios,
ou dormem ainda
ou deixaram de se gladiar
lá no império do impossível.
Assinaram em sítio incerto
um acordo de paz,
temporário,
que a vida é guerrear e matar
para que melhor viva a morte,
já se sabe...
Ah!... mas hoje escalarei
um prodigioso everest
só para ver nascer mais um
dia,
sem manhas
nem obsoletas verdades concretas.
Que meus sonhos se fazem
de outras músicas, de outras letras.
