Escrevi para Maria Ondina
Braga, o dia todo. Estive "fora". Mesmo nos momentos em
que os dedos se ocupavam noutros afazeres que não a dança das teclas, escrevi para Ondina. E assim, eu, que nunca antes estivera no Oriente, acabei a tarde
a tomar chá com Ester, no exíguo quarto, na casa-das-professoras do colégio de
raparigas onde ela lecionou, num longínquo Nocturno em Macau. Aquela osga hirta
na parede, impressionou-me, mas percebi que era discreta o bastante para não se fazer notar durante todo o ritual do chá. Em cima da mesa dos livros, uma carta escrita
em papel de arroz, aberta e nunca lida. Apenas o perfume dela respirado até aos confins da alma.
Hoje, antes do Sol se pôr, revelarei
a Ester a devoção que Lu Si-Yuan lhe dedica, amorosamente, entre pétalas e ideogramas cuidadosamente pintados, em baixo relevo, a tinta-nanquim.
Nunca me sinto só com a
minha solidão. Ela dá-me sempre tanto que fazer. Desvenda [me].
