domingo, 16 de setembro de 2018

Naufrágio


Parece mais legível agora.
Digo: eis ali um nome em construção.
Mas logo todas as formas que o sustentam
desabam
invadidas pelas vagas
de um mar bravo, em maré de delírio.

Encerro as portas blindadas
contra o riso portátil,
as habilidades de feiticeiros 
sem feitiços.

O nome
Oprimido pelos fantasmas que o cercam,
afunda-se, eleva-se, cai de novo,
embate contra os rochedos,  
a parede de ventos,
o grito das gaivotas, o gume da noite... 
Está cercado.
Seu corpo, um peixe a debater-se 
enleado na rede que teceu
afincadamente.

Digo: eis ali uma camisa esfarrapada.