domingo, 28 de outubro de 2018

"Como uma fotografia"

(Google s/ ind. de autoria)
Somos todos aqui,
ainda que nossos corpos dispersos pelo mundo,
como frases adejando 
no azul de laços, bordados e tules.

Subitamente desabitados de outonos
somos todos aqui,
extemporânea primavera.

E somente de natalícios sentimentos me faço
porque um pequeno deus fugiu do céu,
outra vez,
pela encosta de um velho sonho 
(como uma fotografia)
para rir abertamente dos nossos medos,
atirar pedras aos pássaros de pedra,
rebolar na neve,
brincar com as nossas inquietudes
como se sobras de folhas mortas,
correr a espantar os pombos nas pracetas
dos nossos corações,
e depois, feliz de ser humano e criança,
eternamente,
vem adormecer nas pupilas dos nossos olhos
extasiados

onde uma vaga de sol se vai edificando
a leste das guerras e dos comércios.