Ocupa um pequeno espaço num dos cantos do
quintal. Mantém-se ali há mais de três décadas. Primeiro enchia-se de flores
que sucumbiam antes do fruto. Depois os frutos nasciam, promessas redondinhas
que tombavam quando atingiam o tamanho de berlindes. Se não serves para
frutos, serves para amparo de ninhos e pássaros, para sombra - pensava eu, condescendente. Foi personagem de
histórias para crianças e brindada com uma ilustração de Fernanda Fragateiro, na extinta revista Terra do Nunca. Mais tarde, muito mais tarde, acabou a dar maçãs
pequenas, mas bonitas, todas elas com a janelinha da lagarta em evidência, garantia real dos produtos realmente biológicos. Agora, findas as maçãs, o seu tronco deu em
produzir cogumelos, apesar dos trinta graus deste setembro atípico que acaba de nos deixar. É caso
para dizer: ah, quanta extravagância! Tudo o que é de mais é erro, ou, não é?
