E agora o
que faremos?
Poesia. Os
canalhas
não
suportam a Poesia.
Não, não quero domesticar
o poema,
amainar-lhe a
fúria, a mágoa, a desilusão.
Não quero encenar
o verso para o encher
de uma beleza
que muitos dizem já
morta.
Não quero encobrir a faca,
a ferida, o fel.
Abraço o que me
vem à pena
[e sou nisso inocente]
com a
estreiteza própria
do mundo que observo
e do olhar através do qual o observo.
E se não
empresto à voz
o rosto mais ajustado do mundo
é por
ser o poema espontâneo
e livre de jugos.
e livre de jugos.
Enquanto houver
asas no céu e luz
e manhãs claras e árvores
e música e crianças e sonhos,
sem finitude a
Poesia.
