domingo, 11 de novembro de 2018

Antes das palavras



Uma janela para o inverno,
um leve tremular de folhas vermelhas,
as últimas num dos braços mais finos
do ácer.
Polidas pela chuva resistem à sina,
inelutável.

O  permanente cantarolar da água 
 a fazer líquidas as lembranças das fontes
que vêm levedar o instante.

Nestas ruas delineadas a carvão e cinza
antes da neve
não passam automóveis, nem camiões
nem barcos…
apenas as vozes mais íntimas da terra
que, (confirmei agora), é só uma e a mesma,

aqui,
ou noutro ponto qualquer do planeta,
sempre que alguém se detém
a ler-lhe o coração,
alheio às leis perniciosas dos homens

como se lê um poema antes das palavras.


(Fredrikstad, 11/11/2018)