

A três mil e quinhentos quilómetros de casa, estou em casa. Sinto, porém, a falta da outra parte da casa. E da minha estante de Poesia. Há livros aqui, (romance, sobretudo) e música bastante, mas não a minha estante de Poesia. A braços com o excesso de peso das malas, fui obrigada a prescindir de livros que queria trazer. Acompanharam-me A sombra do Mar de Armando Silva Carvalho, (não porque estivesse por ler, mas porque gostei de o ler) e, de Al Berto, O Último Coração do Sonho porque a poesia de Al Berto nunca se deixa ver completamente, como se na penumbra grafada e isso deixa espaço para eu reescrever os poemas com a minha caneta, a minha caligrafia: "cantar quando não puder estar contigo. deixar a voz tremer horas a fio - até que o canto se torne rouco e, pouco a pouco, se apague."
Pareciam leves, estes dois, mas...
Fredrikstad, (4/11/2018)