sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Caminhada


É cada vez mais difícil
conservar os amigos.
Valem-nos aqueles
que não precisam de palavras
de tão próximos e leais.
Os que nos abraçam mesmo
quando não nos abraçam
e nos beijam sem boca
para beijar.

Escuto-lhes as vozes
quando cantam, quando choram
quando me chamam, quando me pensam.
Estamos sempre ligados por finos filamentos
a um mesmo coração,
por mais longa a distância
que nos separe.
Hoje puxei com cuidado a distância
que me separa de ti,
como se puxa um barco para a praia
depois da faina. 
Queria-te deste lado do mar
onde a terra é silenciosa e parada.
Os meus próprios passos
sobre as folhas secas,
inquietam-me de tão sós.
O Espírito da floresta parece querer
falar-me numa língua que não entendo.

Queria-te tanto, hoje, deste lado do coração.


Imagem: Foto minha (Fredrikstad, 16/11/2018)