(foto minha, fredrikstad, 24/11/2018)
Uma bola de sabão.
Sem dúvida, uma bola de
sabão
o mundo,
nem por isso limpo. Belo ainda,
ainda que frágil.
Andarilhar, contigo no coração,
pelos reflexos das cores e das luzes,
atravessar os dias
pelos reflexos das cores e das luzes,
atravessar os dias
sem pisar os cristais de
gelo,
passíveis de perturbar
o teu sono inocente,
sem despertar as metáforas
que poluem as copas altas
dos pinheiros, as águas de tantas lágrimas,
inúteis,
inúteis,
as mãos lisas dos homens
de bem.
Pular linhas na leitura de vãs memórias,
os óculos a pedirem ajuste
e a alma, a reclusão dos casulos.
Uma bola de sabão, meu
pequeno,
nada mais. Uma bola de
sabão
e nem por isso limpo, o
mundo.
Amar-te porém para além dos medos,
carinhosamente, nesta
aliança
breve de cheiros e benquerenças.
