sábado, 24 de novembro de 2018

Uma bola de sabão

(foto minha, fredrikstad, 24/11/2018)

Uma bola de sabão.
Sem dúvida, uma bola de sabão
o mundo,
nem por isso limpo. Belo ainda,
ainda que frágil.
Andarilhar, contigo no coração,
pelos reflexos das cores e das luzes,
atravessar os dias
sem pisar os cristais de gelo,
passíveis de perturbar 
o teu sono inocente,
sem despertar as metáforas 
que poluem as copas altas
dos pinheiros, as águas de tantas lágrimas,
inúteis,
as mãos lisas dos homens de bem.
Pular linhas na leitura de vãs memórias,     
os óculos a pedirem ajuste
e a alma, a reclusão dos casulos.
           
Uma bola de sabão, meu pequeno,
nada mais. Uma bola de sabão
e nem por isso limpo, o mundo.        
Amar-te porém para além dos medos,
carinhosamente, nesta aliança
breve de cheiros e benquerenças.