Eles andam
por aí,
são adolescentes
velhos. Perversos.
Ácidos por
dentro, por fora… ninhos de afetos!
Tecem redes
de malha fina
que lançam
no mar da rede
com a
esperança no peito
a pulsar
como uma febre.
Depois
esperam, suricatas hirtos
a babar
inquieta calma.
Se a rede
sai vazia, não desarmam.
Endireitam
os ombros, os colarinhos,
a alma,
a alma,
ajeitam a
gravata recompõem-se,
senhores
finos!
Mas, se
porventura, algum peixe desleixado
se deixa
enredar na malha, é vê-los,
alvoroçados
em gritinhos
orgásmicos e rubros folguedos:
1…2…3…
apanhei-te outra vez!
É um primor
vê-los jogar
à apanhada,
ao esconde-esconde,
às vezes aos
lobisomens...
são os putos deste povo
que não
aprenderam
a ser
homens.
Lídia
Borges
