terça-feira, 27 de agosto de 2019

A rede




Eles andam por aí,
são adolescentes velhos. Perversos.
Ácidos por dentro, por fora… ninhos de afetos!
Tecem redes de malha fina
que lançam no mar da rede
com a esperança no peito
a pulsar como uma febre.
Depois esperam, suricatas hirtos
a babar inquieta calma.

Se a rede sai vazia, não desarmam.
Endireitam os ombros, os colarinhos,
a alma, 
ajeitam a gravata recompõem-se, 
senhores finos!

Mas, se porventura, algum peixe desleixado
se deixa enredar na malha, é vê-los,
alvoroçados
em gritinhos orgásmicos e rubros folguedos:
1…2…3… apanhei-te outra vez!

É um primor vê-los jogar
à apanhada, ao esconde-esconde,
às vezes aos lobisomens...
são os putos deste povo
que não aprenderam 
a ser homens.

 Lídia Borges