quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Maravilha


  Vladimir Volegov (fragmento)

Agora abrirei o livro na página luminosa
que dá acesso direto ao teu sorriso.

Chega do fundo da noite chamado pela saudade,
pela lentidão de agosto ou talvez pela ternura, apenas.

Todo o teu corpo se debruça para a maravilha,
um mundo, como um fruto por abrir à urgência da luz.

E os olhos levados pelos navios
que atravessam as planícies, ao longe, mais além ainda.

E as mãos expostas, capazes de coroar de anémonas
quanto em ti é espera, sede e dádiva.

Ouve-se nitidamente o som que a alegria
faz à chegada. Encho-te de cânticos e de beijos.




Lídia Borges