Leszec Sokol
No espaço diminuto
do corpo onde coabitamos,
súbitos
desencontros.
Contra a ordem natural das coisas
amplia-se
o teu nome
que
é, devia ser
uma haste do meu, apenas.
Os teus gestos
semelhança
forçada
dos
meus gestos.
O
teu falar, do meu, um frouxo eco,
o teu sentir colhido ainda verde
nas
margens do coração que é meu.
És um trevo a que dei guarida
num belo jardim de camélias…
E
vens agora
tomar
para ti flores insectos e perfumes.
Tolero-te até à mágoa que julgas vestir
sem que reste dela mágoa alguma.
Dou-te
espaço, deixo que cresças
acanho-me para que te distendas
Calo-me
para que fales...
Porém,
deixa que te avise:
a
minha condescendência findará
quando
tomares por tua
a
lucidez que só a mim pertence.
Lídia Borges
