(Gabriele C.)
Tinham os olhos poluídos
de ruídos
e foram embora.
Foram até onde vicejam girassóis
como se buscassem Van Gogh.
Está um dia bonito
dentro de nós – disseram.
E estava:
as árvores recebiam bem
o vento de beijar
e as mãos de colher
as dádivas do dia.
E os chilreios do ar
tinham de ser lidos a azul
para lhes não doer a noite.
Depois
deitaram-se para germinar.
Acreditam agora que as coisas
de pensar
pousadas nos cabelos dos
poetas
hão-de resistir ao frio
de um qualquer inverno que
venha.
E sabem que os poemas levá-los-ão
de pedra em pedra
sobre raízes
descobertas
até à placidez das
águas.
Lídia Borges
