domingo, 17 de novembro de 2019

Recua o poema






E, contudo,
nesta tarde quieta deixo acontecer-me o ócio,
uma manta de lã, um chá, um livro
e uma caligrafia
de frutos vermelhos no limiar dos lábios.
O tempo, um poema que recua
perseguido pela melancolia ocre
de uma paisagem líquida.
Recua, o poema.
Levíssimos os passos, as lembranças, as saudades.
Antes que alguma ausência me pese,
escrevo. 


Detém-se o tempo.




Lídia Borges




Imagem (s/ ind. de autoria)