Na
monocromia da paisagem
passa a
correr como golpe de vento
que viesse somente para destruir.
Tem a voz emaranhada nas
cordas
gastas da garganta.
Sóbria, plural, ardilosa.
Do
peito sobe-lhe um luto subterrâneo,
suspiro
rouco que freme, brame, clama
e em febril tumulto atraiçoa.
Os
corpos e o sol e o sal e o sangue
brumas,
nuvens, iras
em rodopio
encarcerado
nos
braços rudes da desumanidade.
Haverá
a jusante desse rosto
alguma pétala que permaneça?
O que levarei de ti:
a insolência,
o egotismo, a loucura?
Passado será o passar desta água baça,
outono
pálido frente a uma janela
de contemplações poucas.
de contemplações poucas.
E eu desde já te
lastimo, fera ferida,
extinto
o fervor do uivo
e da fala
que fora seiva, flora, flor,
fingimento,
ora findo.
Lídia Borges
(imagem: pintura de minha autoria, (óleo sobre tela 70X50cm)
